A demência é o resultado de uma doença cerebral crônica e progressiva, que interfere com a vida diária. A doença de Alzheimer (DA) é das formas mais comuns de demência correspondendo entre 50 a 70% dos casos de demência. Estima-se que em todo o mundo mais de 35 milhões de pessoas sejam afetadas por ela. No Brasil, a estimativa é de mais de um milhão de pessoas.
A DA leva a alterações progressivas de memória, de julgamento e do raciocínio intelectual, tornando a pessoa cada vez mais dependente. Atinge homens e mulheres mais frequentemente acima dos 60 anos podendo, entretanto, afetar mais raramente, pessoas após os 40 anos.
É importante frisar que todas as pessoas que têm doença de Alzheimer têm demência, mas nem todos que têm demência têm a doença de Alzheimer.
Para o diagnóstico da DA existem critérios internacionais que devem ser observados pelo médico. Mas o diagnóstico definitivo é obtido somente pelo exame necroscópico. Na DA podem ser observados três fases distintas, caracterizadas por problemas “especiais”, alguns dos quais podem ocorrer em cada uma das fases e outros nunca e entre estas fases podem decorrer vários anos. As características das fases são as seguintes:
1ª fase: lapsos na memória recente; mudanças de comportamento (o introvertido fica falante e vice-versa); senso de direção comprometido; atitude mais agressiva que o normal, as vezes sem justificativa aparente; dificuldade em fixar informações novas e teimosia, quando a pessoa insiste em dizer que não há nada errado com ela.
2ª fase: perda de memória se intensifica; repetição infinita de informações; estranhamento constante da própria casa e dos pertences; alternância de momentos de lucidez e confusão mental; estresse psicológico e depressão; agressividade quando é contrariado; começa a dependência física: algumas atividades tornam-se penosas e outras perigosas e o vocabulário quando a pessoa esquece palavras óbvias.
3ª fase: dependência física total: os comandos cerebrais já foram danificados; já não anda e quase não fala; não reconhece ninguém nem a si mesmo; aparecimento frequente de infecções, especialmente urinárias e pneumonia; a deglutição fica prejudicada e surgem escaras e problemas de circulação por passar longos períodos em uma única posição (sentado ou deitado)
Para um bom diagnóstico é necessário:
- avaliação clínica: com o levantamento da história clínica junto ao paciente e seu familiar e os exames clínicos: que incluem avaliação física, neurológica e mental;
- avaliação cognitiva com aplicação de vários testes como: mini-exame do estado mental, teste do desenho do relógio, interpretação de provérbios, função verbal e outros conforme a necessidade observada pelo médico;
- exames laboratoriais e exames de neuroimagem, especialmente a tomografia computadorizado do cérebro, ressonância magnética do cérebro e/ou SPECT
O tratamento prescrito para a doença de Alzheimer é voltado para os sintomas da doença e não para sua causa, uma vez que ela ainda é desconhecida. O objetivo é desacelerar perda de memória e até mesmo melhorá-la por um tempo limitado. As drogas disponíveis atualmente, na rede pública, são os inibidores da Acetilconinesterase e são indicadas também para o tratamento de outras demências, e tem a finalidade de aumentar a quantidade de acetilcolina (esta tem um papel nos processos da memória) e está deficitária na DA. Estudos realizados demonstram que os anticolinesterásicos são eficazes, porem, para que esta eficácia seja maior, é importante que eles sejam iniciados o mais cedo possível – por isso a importância de a família procurar ajuda médica assim que identificar o primeiro sinal de alerta.
As drogas atualmente disponíveis e aprovadas são as seguintes:
- DONEPEZIL: deve ser usada uma vez ao dia, por via oral, iniciando com a dose de 5 miligramas para o primeiro mês e após, com a dose de 10 miligramas que é a dose completa. Como efeito colateral pode apresentar náuseas, vômitos, enjôo e perda de peso. Disponibilizada na rede pública.
- RIVASTIGMINA: deve ser usada duas vezes ao dia. Da mesma forma que a anterior, inicia-se o tratamento com 1,5 miligramas duas vezes ao dia devendo a dose ser aumentada a cada quatro semanas até atingir 12 mg /dia (dose ideal). Esta droga também pode ser encontrada em forma de adesivo. Apresenta também efeitos colaterais para o aparelho digestivo. Disponibilizada na rede pública.
- GALANTAMINA: deve ser usada uma vez ao dia, iniciando-se com as doses de 8 gramas e aumentando a dose a cada quatro semanas, para 16 e 24 miligramas. Apresenta os mesmos efeitos colaterais que as demais. Disponibilizada na rede pública.
Na doença de Alzheimer é importante a atuação da equipe interdisciplinar que trabalha no sentido de auxiliar o tratamento medicamentoso. Estudos comprovam que ações combinadas entre a terapia medicamentosa e a não medicamentosa trazem melhores resultados.
Existem outros quadros demenciais que acometem a população. Alguns, embora não sejam doença de Alzheimer, tem tratamento medicamentoso semelhante ao dela. Outros, infelizmente, só terão medicação sintomática.
- 1º estágio: dura de 1 a 3 anos, caracterizado por esquecimento leve, alguns episódios, alguns períodos rápidos de delírios e falta de iniciativa no dia-a-dia;
- 2º estagio: ocorre a piora das funções cerebrais cognitivas (memória, linguagem, orientação no tempo e espaço). Piora dos delírios, com alucinações auditivas e visuais. É comum haver quedas.
- 3º estagio: distúrbios psiquiátricos tipo psicose, agitação e confusão mental. Não toleram o uso de neurolépticos.
Da mesma forma que na Doença de Alzheimer, o diagnóstico é feito pelo médico através de exame clínico. O diagnóstico de certeza é feito através da biópsia cerebral e da anatomia cerebral.
- comprometimento frontal: paciente falante, inquieto, despreocupado, com pouca iniciativa, apresentando mudança de personalidade e alterações de linguagem.
- comprometimento fronto-temporal: apatia, sexualidade exacerbada, mudança de hábito alimentar. Também pode apresentar uma afasia de entendimento e de expressão.
Em 12 de abril de 2002 o Ministério da Saúde assinou a Portaria 703 que “institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde, o Programa de Assistência aos Portadores da doença de Alzheimer” (Art. 1º). Define ainda “que o Programa instituído será desenvolvido de forma articulada pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios em cooperação com as respectivas Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso e seus Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso” (Art. 2º).
Também de acordo com a Portaria 703, os medicamentos a serem utilizados no tratamento da doença de Alzheimer e que são entregues, gratuitamente, aos pacientes, são os seguintes: Rivastigmina (Exelon), Donepezil (Eranz) e Galantamina (Reminyl). O medicamento Memantina (Ebix e Alois) não está na lista do governo e precisa ser comprado.
A princípio, o atendimento à pessoa com doença de Alzheimer, inicia-se com o atendimento do generalista na atenção básica, que encaminha o paciente ao especialista (geriatra ou neurologista ou psiquiatra). Para que o paciente tenha direito à medicação, ele será analisado clinicamente pelo médico, além de exames laboratoriais e de imagem que provavelmente serão solicitados.
Existe uma exigência do Ministério da Saúde para que estas medicações tenham a prescrição assinada por médico da rede pública. Entretanto, no Estado de São Paulo foi possibilitado que o paciente apresente a prescrição assinada por médico da rede privada (particular ou de convênio), bastando que ele preencha os documentos solicitados, constantes do processo de retirada de medicamentos abaixo.
Para a retirada dos medicamentos aprovados para distribuição gratuita, observe o seguinte processo:
Médico:
- Laudo de solicitação/autorização de medicamento (em 3 vias)
- formulário 13 – preenchido corretamente e sem rasuras
- Termo de consentimento informado (em duas vias), preenchido e assinado pelo médico e pelo responsável
- exame do mini estado mental realizado pelo paciente, analisado e assinado pelo médico
- receita de controle especial (em duas vias) contendo as seguintes informações: nome do princípio ativo ou genérico ou substância principal do medicamento; quantidade numérica mensal; dosagem medicamentosa, carimbo, assinatura e data.
Paciente:
- uma cópia Xerox, comum, do RG e do CPF (este, não obrigatório)
- uma cópia Xerox, comum, de comprovante de residência
- uma cópia Xerox, comum, do Cartão Nacional de Saúde/SUS
- numero de telefone, mesmo para recado
Locais na cidade de São Paulo:
- PAM MARIA ZELIA (Rua Jequitinhonha, 360 – Belem)
- PAM VÁRZEA DO CARMO (Rua Leopoldo Miguez, 327 – Cambuci)
Locais no interior de São Paulo:
- Farmácias de Alto Custo ou Farmácias do Governo – informações junto aos postos de atendimento especializado onde o paciente foi atendido.
Saiba mais...
design Cynthia Vasconcellos
desenvolvimento Erick Nascimento